02 de novembro de 2015

Iv Ciclo de Leituras-Cia Ludens e o Teatro Documentário Irlandês

Por Adriana Sá Moreira

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A Cia Ludens apresentará no Teatro Eva Herz o seu IV Ciclo de Leituras, dessa vez dedicado ao Teatro Documentário Irlandês, com seis peças escritas nos últimos cinco anos. Todos os textos selecionados têm na contemporaneidade um dos fatores determinantes para sua seleção. Outro critério de escolha foi pautado pelo entendimento do conceito de teatro documentário e suas possíveis expansões e hibridismos. Isso acabou por levantar o principal argumento a ser discutido durante o Ciclo, o de questionar os limites do conceito a partir dos textos selecionados e estabelecer relações com a dramaturgia em processo da Companhia em seu contexto brasileiro.

Em quase todos os textos que compõem o programa, as limitações conceituais são colocadas à prova. As temáticas abordadas, no entanto, atravessam fronteiras linguísticas, ideologias políticas, significados locais e reverberam profundamente nas problemáticas da sociedade brasileira contemporânea.

Programa do ciclo:

03/11/2015 – Descendo da perna de pau: Yeats e o Abbey Theatre (2013), editado e compilado por Aideen Howard.
Tradução de Maria Rita Viana e direção de Luiz Fernando Ramos.
Elenco: Maria Amélia Farah, Paula Picarelli e Thiago Amaral

10/11/2015 – Sem saída (2010), de Mary Raftery.
Tradução de Alinne Fernandes e direção de Laerte Mello.
Elenco: Alexandre Ogata, Daniela Theller, Laerte Mello, Lécio Rabello, Plínio Soares, Renata Aspesi, Roney Facchini, Vinícius Meloni

17/11/2015 – Garantido! (2013), de Colin Murphy.
Tradução de Leonor Cione e direção de André Acioli.
Elenco: Fause Haten, Felipe Hintze, Jonatan Harold, Nilton Bicudo, Raphael Gama, Rubéns Caribé e Tatiana Montagnoli

24/11/2015 – Titanic: cenas de um inquérito (2012), de Owen McCafferty.
Tradução de Fernanda Verçosa e direção de Peter Harris.
Elenco: Bruno Perillo, Chico Cardoso, Eliseu Paranhos, George Passos, Julio Pompeo, Paulo Bordhin

SERVIÇO:

LOCAL: Teatro Eva Herz, Avenida Paulista, 2073 - (Conjunto Nacional - 1º Piso) - Bela Vista. 168 lugares.
DATA: 20/10 até 24/11 (Terças 20h)
INGRESSOS: Gratuito. Será distribuído um par de convites por pessoa a partir das 19h. Debate com elenco após a leitura.
INFORMAÇÕES: 3070 4059
DURAÇÃO: 100 minutos
CLASSIFICAÇÃO: 12 anos

EQUIPE:

Curadoria: Beatriz Kopschitz Bastos
Coordenação: Beatriz Kopschitz Bastos e Domingos Nunez
Produção Executiva: Fabio Camara
Assessoria de Imprensa: Fabio Camara
Realização: Cia Ludens

Sinopses das peças:

Diários de Roger Casement, de Domingos Nunez

Escrita por Domingos Nunez e musicada por Alberto Heller, Diários de Roger Casement é uma peça-documentário, neste momento em processo, construída a partir de documentos históricos em torno do irlandês Roger Casement, cônsul britânico que no início do século XX atuou na África e na Amazônia. Considerado um dos pioneiros na defesa pelos direitos humanos, ele envolveu-se na luta pela independência da Irlanda, foi julgado pela Coroa Britânica por conta disso e se transformou em herói nacional. Mas o aparecimento de “diários negros”, com descrições da sexualidade de Casement, chamou a atenção para um aspecto desconhecido da sua personalidade, chocou uma geração e acabou por perturbar o entendimento que se tinha dele. Ainda hoje, os diários que supostamente escreveu estão no centro de um debate controverso envolvendo intelectuais, políticos e artistas.

Mácula (The Speckled People), de Hugo Hamilton
Tradução: Beatriz Kopschitz Bastos

Na Irlanda dos anos 50 um menino chamado Hanni se vê em um confronto de identidades entre sua mãe alemã e seu pai irlandês, severo e revolucionário, que insiste que somente o alemão e o irlandês devam ser falados em sua casa. Assim, apesar de todos falarem inglês fora do ambiente familiar, o menino é proibido de trazer palavras desse idioma para casa, o que gera um isolamento profundo na família. Hanni está preso em um mundo tragicômico, em meio a identidades diversas. Seu pai arquiteta vários esquemas para ganhar dinheiro, mas todos fracassam, devido a sua ideologia implacável. Uma tia aparece, vinda de West Cork, instigando uma revolução – o que trará, enfim, o regime do pai abaixo, quando seu último esquema, uma criação de abelhas, sucumbe. O drama familiar dessa peça autobiográfica, baseada nas memórias de mesmo título do autor, nos diários de sua mãe e em entrevistas com a família, se intensifica ainda mais com o desenrolar dos segredos da mãe durante a era nazista na Alemanha, delineando a armadilha da qual ela e o filho devem se libertar na Irlanda.

Descendo da perna de pau: Yeats e o Abbey Theatre (Down off his tilts: Yeats and The Abbey in his own words), de Aideen Howard
Tradução: Maria Rita Drumond Viana

Antecipando o bicentenário do nascimento de Yeats, apresentam-se leituras e recriações dramáticas de trechos das peças de teatro, poemas e cartas do autor irlandês, editados e compilados pela diretora literária do Abbey Theatre Aideen Howard e realizados por três dos melhores atores da Irlanda. Descendo da perna de pau oferece uma nova perspectiva sobre a vida e obra de Yeats durante o período que culminou com a fundação do Abbey Theatre, incluindo participação de luminares como a famosa musa do autor, Maud Gonne McBride e seus contemporâneos literários, Bernard Shaw e J.M. Synge.

Sem saída (No Escape), de Mary Raftery
Tradução: Alinne Fernandes

Sem saída estreou no Abbey Theatre, Dublin, em 2010, como parte da série “The Darkest Corner” (“O canto mais escuro”). O propósito da série era discutir a violência contra crianças em escolas industriais (para órfãos, crianças negligenciadas ou abandonadas) e reformatórios na Irlanda. Essas instituições estiveram sob os cuidados de congregações Católicas por mais de cem anos, desde a segunda metade do século XIX até aproximadamente o final do século XX. Organizada em seis atos, a peça apresenta relatos de homens e mulheres que sofreram e testemunharam abuso psicológico, físico e sexual cometido por padres, freiras e outros funcionários nas instituições onde passaram a infância. Sem saída é uma compilação de trechos editados do Ryan Report (Relatório de Ryan). O relatório leva o nome de seu autor, o juiz Séan Ryan, que, de 2003 a 2009, presidiu a Comissão de Investigação da Violência Contra a Criança, responsável pela apuração dos crimes cometidos em escolas industriais e reformatórios sob a tutela da Igreja Católica.

Garantido! (Guaranteed!), de Colin Murphy
Tradução: Leonor Cione

Guarantido! é uma peça-documentário sobre a garantia bancária. Na noite de 29 de setembro de 2008, o governo irlandês decidiu garantir os bancos da Irlanda – no montante de 440 bilhões de euros. Garantido! conta a história daquela noite e de como chegaram lá. Escrita pelo repórter e documentarista Colin Murphy, com base em documentos oficiais e entrevistas sigilosas, Garantido! reconstrói a expansão e a falência da atividade bancária da Irlanda – vista pelos bastidores do poder. O elenco atua como uma miríade de ministros, banqueiros e burocratas que combatem o desenrolar da crise.

Titanic: cenas de um inquérito (Titanic: Scenes from the British Wreck Commissioners Inquiry 1912), de Owen McCafferty

Tradução: Fernanda Verçosa

Acompanhando em 2012 a comemoração centenária, em Belfast, da tragédia do Titanic, essa peça marca a estreia do dramaturgo norte-irlandês Owen McCafferty na intrigante arte do docudrama. Nessa peça, resistência e fragilidade humanas protagonizam o inquérito subsequente ao naufrágio do maior navio já construído até então, aliando ficção e realidade ao recontar estórias compartilhadas há mais de um século pelos sobreviventes da maior tragédia marítima civil de todos os tempos.

Adriana Sá Moreira
Mestre em Comunicação pela Faculdade Cásper Líbero.
Publicitária pela ESPM e Atriz pelo Célia Helena-Teatro Escola.
Entusiasta do universo teatral com suas histórias e transformações.
Fundadora e editora de conteúdo do AmoTeatro.